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De Noé de Magalhães Abreu para Alceu A. Lima
25 de dezembro de 1942 · Campo do Meio, Minas Gerais, Brasil · 2 min de leitura
Carta de um seminarista do Seminário Dom Campanha, em Campo do Meio, Minas Gerais, endereçada ao intelectual e crítico literário católico Alceu Amoroso Lima. O remetente abre com votos de feliz Natal e declara a admiração que nutre pela figura de Alceu desde quando o avistou como aluno do Ginásio de Varginha. Relata que, movido pela vocação religiosa, ingressou no seminário sem abandonar o apreço pela obra literária do destinatário, cujos livros guarda em sua biblioteca pessoal. Informa a existência no seminário do Grêmio Literário 'Padre Anchieta', do qual é membro, cujos estatutos preveem a escolha de um patrono de honra entre personalidades de destaque nas letras. Orgulhosamente comunica ter escolhido Alceu Amoroso Lima como seu patrono pessoal de honra, fundamentando a escolha na admiração intelectual e religiosa que lhe dedica. Encerra com votos de elevada estima e assinatura completa, com indicação de endereço via Josino de Brito, Campo do Meio, Minas.
Louvado seja Jesus Cristo.
Preliminarmente, tenho o subido prazer de apresentar-vos meus sinceros votos de feliz Natal. É-me gratíssimo endereçar-vos estas linhas e, por igual fazer-vos ciente do quanto a figura de V. Excia. me é simpática, maxime como fator nortiante em a minha formação religiosa e literária. Há anos como aluno do querido Ginásio de Varginha avistei-me com V. Excia. e percebi quanto permitia minhas acanhadas visões, os fulgores de vossa ímpar e marcante personalidade. Ao depois, atendendo o bondoso "sequere-me" do Divino Mestre matei meus interesses mundanos e ingressei-me, dono de firme convicção, no Seminário Dom Campanha. Seminarista, visando ideais altaneiros, aquela impressão primeira que senti pela vossa pessoa cresceu, tomou vulto em os meus pensares e impuz-me o dever de acompanhar-vos de perto, servindo-me do parco lastro literário, de autoria vossa, que felizmente possuo em a minha Biblioteca. Em o nosso Seminário, além do ótimo curso de Português, possuímos uma modesta agremiação, que contribui notadamente para a nossa iniciação literária — denomina-se Grêmio "Padre Anchieta".
Sou um dos seus humildes membros. Rezam os estatutos que o acadêmico tenha um patrono de honra, escolhido entre os vultos de maior evidência nas letras, e justificando minha referida simpatia pela vossa figura literária comunico-vos orgulhoso em fazê-lo ser V. Excia. meu mui caro Patrono.
Sem mais, formulando votos da mais elevada estima e consideração, subscrevo-me com muita amizade:
Sem. Noé de Magalhães Abreu.
Campo do Meio, 25 de Dezembro de 1942.
(aO) Noé de Magalhães Abreu.
Via Josino de Brito.
Noé de Magalhães Abreu