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De Hildebrando Accoly para Alceu
18 de abril de 1939 · Roma, Itália · 2 min de leitura
Escrita de Roma em 18 de abril de 1939, a carta relata as primeiras experiências do remetente, Hildebrando Accoly, após sua chegada à capital italiana como representante diplomático do Brasil. Ele descreve a apresentação de suas credenciais ao Papa Pio XII em 1º de abril, transmitindo a profunda impressão que o Santo Padre lhe causou — inicialmente severo, depois suave e acolhedor. Menciona que, durante o colóquio privado, referiu-se ao Cardeal D. Leme e ao próprio Alceu. Relata ainda uma audiência coletiva aos brasileiros residentes em Roma, promovida por iniciativa do Cardeal, na qual o Papa os saudou em português, e uma audiência particular subsequente, em que o achou mais descansado e risonho apesar das tensões internacionais. Comenta a oração pontifícia do Domingo de Páscoa, enviada ao Itamarati, ressaltando que na Itália foi suprimida mas teve grande repercussão em outros países europeus. Informa a partida de D. Leme, que embarcará no 'Augustus', e observa que o Papa deveras o estima. Encerra colocando-se à disposição do destinatário para eventuais comissões em Roma.
Roma, 18 de Abril de 1939.
Meu caro Alceu,
Desde que cheguei, tenho pensado em lhe mandar uma cartinha, mas ainda não definitivamente instalado e preocupado com as primeiras visitas protocolares, o tempo me tem sido muito escasso.
Conforme já terá sabido, no dia 1º do corrente apresentei a minha Credencial a Pio XII, de quem recebi profunda impressão. V. não imagina como me comovi quando, pela primeira vez, me defrontei com o Santo Padre. Este se me apresentou, ao princípio, com aspecto muito severo. Depois, quando me respondeu, pude perceber a sua suavidade, que se acentuou no colóquio a que me convidou, após a cerimônia. Nessa ocasião, falando sobre cousas e homens do Brasil, tive o prazer de me referir à pessoa de D. Leme e a V.
Ontem, por iniciativa do nosso prezado Cardeal, todos os Brasileiros actualmente em Roma foram recebidos em audiência especial pelo Santo Padre, que nos dirigiu uma bela saudação, em português. Depois, foi-nos concedida uma audiência particular. Achei S. S. com fisionomia mais descansada do que da primeira vez, e com aspecto risonho, apesar das preocupações que os últimos acontecimentos internacionais lhe têm causado.
Não sei se V. terá lido a notável oração pontifícia, do Domingo de Páscoa. Remeti o respectivo texto ao Itamarati. Aqui na Itália -- et pour cause,-- procuraram abafá-la. Mas noutros países europeus foi grande a sua repercussão.
Partiu hoje daqui D. Leme, que seguirá no "Augustus", depois de amanhã. Graças a Deus, fez-lhe muito bem uma recente estação de águas. Ontem, pela segunda vez, tive oportunidade de verificar que o Santo Padre o estima deveras.
Diga-me o que deseja daqui, porque estou inteiramente ao seu dispor. Aceite um cordial abraço do seu
Hildebrando Accoly
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