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De Remetente desconhecido para Alceu
22 de dezembro de 1965 · Sorocaba, São Paulo, Brasil · 3 min de leitura
Escrita de Sorocaba em 22 de dezembro de 1965, esta página de abertura de carta dirige-se ao Prof. Alceu convidando-o a ser padrinho da Ordenação Sacerdotal do remetente, um desconhecido para o destinatário. O autor reconhece a estranheza do convite feito a alguém que não conhece pessoalmente, mas justifica-o pelo apreço profundo aos escritos e ao pensamento de Alceu, cuja lucidez, desassombro e atitude cristã frente à liberdade, justiça, verdade e paz o formaram e acompanharam ao longo do tempo. Menciona que seu Bispo, D. Aniger Melillo, já o advertiu sobre o fato de convidar alguém desconhecido. O remetente declara não ignorar as controvérsias em torno do nome e pensamento de Alceu, mas afirma situar-se conscientemente ao lado dos princípios e atitudes que Alceu representa. Presta ao destinatário uma modesta homenagem pelo valor de sua obra na construção do Reino, e encerra o trecho expressando sua vocação ministerial de trabalhar pela unificação de tudo em Cristo.
Sorocaba, 22 de dezembro de 1.965
Prof. Alceu. Prezado Senhor. Graça e paz.
Poderá parecer-lhe insólito o fato de eu, desconhecido, escrever ao Sr. – e, mais estranho, pelos motivos a que me proponho.
Prof. Alceu, objetivo convidá-lo para padrinho da minha Ordenação Sacerdotal.
D. Aniger Melillo, meu Bispo, observou-me que iria convidar eu a quem não conheço pessoalmente. De fato, é ponto observável. Não o conheço, pessoalmente.
Apreço a leitura dos seus trabalhos. Faço-a com interesse e proveito. São êles as manifestações exteriores da sua consciência, do seu pensar. Nêles, o conheço.
Nêsse pouco – e muito – admiro a lucidez, o desassombro, os impetos exigentes da atitude cristã, frente aos valores da liberdade, da justiça, da verdade e da paz.
De longa data, êles me formam, acompanham-me, me admiram, exigem-me – me apadrinham, na força do termo.
Que mal há em que eu o convide, nêsse instante decisivo para mim, por que venha a selar com sua presença, um longo, atuante e benéfico apadrinhamento?
Prof. Alceu, não ignoro as controvérsias tecidas em redor do seu nome e pensamento.
Minha intenção de convidá-lo prevê êsse pormenor, e me põe, assim – caridosa, mas, claramente – ao lado de uma série de princípios e atitudes, já comungados por mim e que encontram em sua pessoa, um expoente e defensor.
Prof. Alceu, presto-lhe modesta homenagem – modestíssima – reconhecimento por quanto realiza e representa o Sr. e o seu trabalho – contribuição valiosa para a construção do Reino.
Isso me sensibiliza – a mim, que devo me preocupar, por ministério, com o multiforme e misterioso trabalho da unificação de tudo em Cristo, para que Êle seja tudo em todos.
A Ordenação poderá ser em rito bizantino, tendo como ordenante D. Elias Couster. Meus padrinhos seriam D. Aniger Melillo e o Sr.
Se a cerimônia for em rito latino, D. Elias e D. Aniger trocarão os lugares.
Se o Sr. não puder vir - o lugar ficará vago, guardando, simbolicamente, sua presença.
Peço-lhe desculpas pela ousadia. Bem que é, não acha o Sr.?
Prof. Alceu, desejo-lhe um significativo Natal, penhor de fecundidade e bençãos no Ano Novo.
Cada Natal é lembrete à esperança, é sinal da fidelidade de Deus aos seus desígnios de misericórdia.
É convite para mais justiça e amor entre os homens de boa vontade. A paz é decorrência.
Prof. Alceu, sua resposta está sendo aguardada.
Elias Couster
tendo como ordenante D. Elias Couster. Meus padrinhos seriam D. Aniger Melillo e o Sr.
Aniger Melillo
D. Aniger Melillo, meu Bispo, observou-me que iria convidar eu a quem não conheço pessoalmente.