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De Remetente desconhecido para D. Luzia
28 de outubro de 1969 · Rio de Janeiro, Brasil · 2 min de leitura
O remetente, escrevendo do Rio em 28 de outubro de 1969, pede desculpas pela demora em responder a uma carta de setembro de D. Luzia O.S.B. Afirma ter ficado profundamente grato e ao mesmo tempo intimidado após ler a conferência dela, de riqueza espiritual e humana extraordinária. Declara que não terá mais coragem de falar no mosteiro dela depois de testemunhar tal síntese de espiritualidade e realismo. Argumenta com veemência que D. Luzia não pode guardar para si tal riqueza de pensamento e penetração espiritual, reservando-a apenas às suas irmãs de comunidade ou a ouvintes limitados de congressos. Afirma que ela tem o dever de publicar ao menos um livro, e que outros virão depois do primeiro. Conclui agradecendo pela confirmação de uma velha convicção que lhe é cara — a de que a naturalidade é a própria expressão da vida sobrenatural — dizendo que D. Luzia é um exemplo vivo disso em sua pessoa e obra, e que ela lhe deve agora o seu livro. Termina com uma bênção pedindo que Deus continue a iluminá-la e a dar-lhe força.
Rio, 28 - outubro de 1969
Querida e grande amiga D. Luzia O.S.B.
Que vergonha, vir responder em outubro aquela sua carta admirável de setembro, que devia ter sido respondida na hora, tão grato fiquei ao que nela me diz. Tão grato é ao mesmo tempo tão... interditado. Depois de ler a sua conferência de uma riqueza espiritual e humana tão extraordinária, já não terei coragem, nunca mais de falar aí no seu mosteiro. Que posso eu dizer a quem diz ou a quem ouve o que a Senhora diz nessa síntese estupenda de espiritualidade e de realismo, que sua conferência representa. Ao lê-la aumentou a minha convicção de que não é possível que a senhora reserve apenas para suas irmãs, ou quando menos para os seus ouvintes de reuniões especializadas e limitadas, a enorme riqueza que sua alma contém, que sua experiência monástica temperou e que a senhora sabe exprimir inclusive com uma graça de estilo e igualmente com um senso de ordem na exposição das idéias, que são um regalo para o espírito. Mas acima de tudo uma lição esplêndida para a formação dos espíritos. Tudo isso não podia ficar perdido. A senhora tem o dever de publicar ao menos um livro. E estou certo de que saindo a primeira, outros seguirão. Mas o número é indiferente. O essencial é aproveitar a enorme riqueza de pensamento e de penetração na mensagem divina, para o bem de milhares de pessoas que poderão aproveitar daquilo que a senhora tem, mas não tem o direito de guardar apenas para os seus filhos de N.S. das Graças ou para seus efêmeros ouvintes de congressos.
Se algum pedido lhe posso fazer é esse. E não posso admitir que seja negado.
Ainda uma vez muito obrigado por tudo. E de modo particular por mais essa confirmação de uma velha convicção que me é muito cara: a naturalidade é a própria expressão da vida sobrenatural. A senhora é um exemplo vivo disso, em sua pessoa e em sua obra. Está nos devendo agora o seu livro!
Deus continue a iluminá-la e a dar-lhe Força!